O que são carrapatos: como prevenir e quais doenças podem transmitir

Confundidos com insetos, os carrapatos são artrópodes da classe aracnídea e também são chamados de ectoparasitas.

Carrapato na cor marrom em uma folha

Os carrapatos podem transmitir doenças letais para animais e humanos – Foto: Unsplash/ND

Tal classificação acontece pois esses animais exercem o papel de parasitas em vertebrados, como aves, répteis, anfíbios e mamíferos, inclusive nos animais de estimação e ser humano.

Por tais condições, os carrapatos são transmissores de doenças, para os pets e humanos, requerendo o cuidado para conter a proliferação deles, principalmente em épocas quentes e úmidas, como o verão.

O que são carrapatos?

Animais invertebrados pertencentes à classe Arachnida, os carrapatos estão no mesmo grupo de aranhas e escorpiões.

Eles possuem exoesqueleto quitinoso, quatro pares de pernas, sem antenas e com garras adaptadas para penetrar na pele de seu hospedeiro.

Os carrapatos são ectoparasitas, ou seja, vivem sobre a pele de animais vertebrados, principalmente de cães, capivaras, gado, cavalos e até mesmo seres humanos.

Capivara a beira do rio

As capivaras são hospedeiras de carrapatos e podem contribuir para espalhá-los para a proliferação deles – Foto: Divulgação/Ibama/ND

Além de se alimentarem de sangue, eles são transmissores de doenças para humanos e animais de estimação, como é o caso da febre maculosa e a doença do carrapato, que podem ser letais para as espécies parasitadas.

Na natureza, os carrapatos têm duas fases de vida: a de parasitismo, onde vivem no animal hospedeiro, e a de vida livre, onde estão espalhados pela natureza, seja no solo, em tocas e buracos, ninhos ou camuflados na vegetação.

Espécies comuns de carrapato

Tendo como habitat comum localidades tropicais, quentes e úmidas, os carrapatos têm tamanho variado, com alguns tipos medindo poucos milímetros, enquanto outros tipos podem chegar até 3 centímetros.

Ao redor do mundo, são catalogadas mais de 900 espécies do aracnídeo, sendo que no Brasil são conhecidas 67 delas. Os tipos de carrapato mais comuns no país são:

  • Carrapato-estrela: o mais conhecido, é encontrado frequentemente nas áreas afastadas de centros urbanos, principalmente em locais de vasta vegetação. O principal problema transmitido por ele é a doença de Lyme, também chamada de febre maculosa e doença do carrapato.
  • Carrapato-marrom-do-cão: como o nome explica, é uma espécie que se prolifera principalmente em cães. Costumam viver em áreas urbanas e são transmissores de doenças como o babesiose, erliquiose e anaplasmose;
  •  Carrapato de boi: Presentes em áreas rurais, esses parasitas afetam bastante os bovinos, causando anemia e debilidade para os animais.
Carrapato-estrela em um dedo humano em imagem ampliada

A transmissão da febre maculosa ocorre somente por meio do contato com o carrapato-estrela infectado pela bactéria do gênero Rickettsia – Foto: Jerry Kirkhart/Wikimedia/Agência Brasil

Quando e como ocorre a proliferação de carrapatos?

Os carrapatos podem ser considerados uma praga, já que afetam a saúde de animais do campo e urbanos, transmitindo doenças e podendo causar a morte de vertebrados e até de humanos.

Existem épocas sazonais em que a presença de carrapatos é maior, sobretudo em estações quentes e úmidas, como a primavera e o verão.

Isso acontece pois as condições climáticas favorecem o ciclo de vida e reprodução.

Para se ter uma ideia, durante o inverno os carrapatos levam até 140 dias para chegarem à vida adulta. Já no verão, esse período é reduzido para apenas 10 dias.

Mesmo que sejam mais vistos em meses mais quentes, o carrapato é encontrado em outras épocas nos países de clima subtropical e tropical, principalmente em locais com muitos animais, sejam eles domésticos ou do campo.

Outras razões para os surtos de carrapatos são a falta de controle ambiental e limpeza urbana, como a existência de terrenos baldios com grama e vegetação alta, que são ambientes propícios para a proliferação do artrópode.

A ausência de medidas preventivas, como aplicação de carrapaticidas ou manejo adequado do ambiente é outro aspecto que pode levar a infestações.

Doenças transmitidas por carrapatos

Um dos maiores problemas que os carrapatos podem trazer é referente a saúde humana e animal.

Mãe com a filha medindo a febre

A febre maculosa tem sintomas que variam entre leves e graves – Foto: iStock/Divulgação/its Teens

Além de serem parasitas, os aracnídeos carregam consigo organismos como vírus, bactérias e protozoários, que transmitem doenças para seus hospedeiros.

A infecção acontece justamente quando os carrapatos se alimentam do sangue de animais e humanos, pois os microrganismos contagiantes estão presentes na saliva do animal, entrando na corrente sanguínea após a sua picada.

Inicialmente, essa picada não é sentida por conta de substâncias anestésicas, mas com a transmissão o organismo é infectado com toxinas e anticoagulantes.

Doenças que o carrapato transmite para os cães

A doença do carrapato, que afeta sobretudo os cachorros, se divide em três diferentes tipos: erliquiose, babesiose e anaplasmose.

A erliquiose é causada pela bactéria do gênero Ehrlichia e possui três fases, cada uma com sintomas próprios. Na primeira, chamada de aguda, o animal sente falta de apetite e sangramentos.

A segunda fase, subclínica, não é caracterizada por um efeito específico, inclusive com o cachorro infectado parecendo saudável.

Contudo, se não houver o tratamento, o quadro evolui rapidamente para a fase crônica, com anemia severa, hemorragias e até a morte do cachorro.

Cachorro deitado no chão com cara de carente

Os carrapatos podem causar doenças graves aos pets, sendo que algumas delas podem inclusive afetar a família – Foto: Reprodução/Pexels

Outra doença é a babesiose, provocada pelo protozoário Babesia Canis, que também pode afetar os rebanhos de gado.

Os principais sintomas da enfermidade são a fraqueza, febre alta, mucosas e pele amarelada, urina escura (cor de café) e aumento do baço.

Assim como a erliquiose, a doença provoca danos severos, causando a insuficiência renal e o possível óbito dos animais.

Já a anaplasmose, também causada por bactérias, possui sintomas e efeitos semelhantes às doenças já mencionadas, provocando fadiga, vômito, inchaço abdominal e pode levar ao falecimento do animal.

Doenças que o carrapato transmite para seres humanos

Essas enfermidades são igualmente transmitidas para pessoas, caso o carrapato escolha o ser humano como seu hospedeiro.

Entretanto, a mais conhecida que afeta o homem é a febre maculosa, que ocorre após a picada do carrapato-estrela.

Para que um ser humano seja infectado, é preciso que o carrapato fique em contato com o corpo de 6 a 10 horas.

Os microrganismos causadores da febre maculosa entram em contato com a corrente sanguínea e os sintomas são variados.

Inicialmente aparecem manchas vermelhas nos punhos e tornozelos. Os demais sinais são a febre acima de 39º C, calafrios, dor abdominal, dor de cabeça intensa e dor muscular constante.

No hemisfério norte, a proliferação de carrapatos é responsável pelo aumento da Doença de Lyme, causado pela bactéria Borrelia burgdorferi.

Os efeitos da doença começam a aparecer até 30 dias depois do contato inicial, sendo que os sinais são o inchaço e vermelhidão no local da picada, bem como dores de cabeça, musculares e nas articulações, febre, calafrios e rigidez na nuca.

Qual é o tratamento para as doenças transmitidas por carrapatos?

Tanto em humanos quanto em animais, o tratamento das doenças ocasionadas por carrapatos é medicamentoso.

Nos casos dos pets, assim que forem notados os sintomas, é importante ir ao veterinário para conter o avanço da doença.

O passo é o mesmo para o caso de pessoas infectadas, procurando auxílio médico para iniciar o tratamento.

Para os animais domésticos, a doença do carrapato é combatida com a ingestão de antibióticos e vitaminas.

Os procedimentos são feitos de acordo com o estágio da doença, indo de uma alimentação que recupere os nutrientes perdidos até a transfusão de sangue em casos mais agudos.

Por sua vez, a febre maculosa é combatida com o uso de remédios como a doxiciclina, também utilizada nos cuidados de pacientes infectados pela leptospirose e malária.

Em casos mais graves é realizada a internação e o acompanhamento médico para controlar os sintomas e males da doença. Outros procedimentos são a hidratação, controle da febre e dor do paciente.

Prevenção contra a infestação de carrapatos

Existem várias práticas que ajudam a evitar a proliferação dos carrapatos e evitar o contágio com potenciais doenças.

Os cuidados envolvem o uso de repelentes e inseticidas, que mantém o parasita longe de pessoas e animais.

Em áreas rurais ou com grande presença de vegetação, o ideal é usar roupas de manga comprida e calçados fechados, de preferência na cor branca, que facilita a identificação do artrópode.

Hoje em dia, para prevenir que os pets sejam hospedeiros de carrapatos, existem medicamentos que afastam os aracnídeos por períodos regulares, bem como coleiras e acessórios que repelem a praga.

Outras aliadas contra o carrapato são algumas espécies de plantas, que são repelentes naturais contra o animal, por conta de seu aroma que são desagradáveis ao parasita. Entre elas estão o alecrim, a hortelã e a lavanda.

Imagem de lavandas roxas

A lavanda é uma ótima planta para repelir os carrapatos- Foto: Divulgação/Super Vary/ND

Truques caseiros também são preventivos, com o uso de soluções que misturam o vinagre de maçã, bicarbonato de sódio, sal e óleos essenciais, que podem ser borrifados e aplicados nos ambientes mais frequentados da casa.

Caso encontre um carrapato junto ao corpo humano ou de cães, o ideal é usar uma pinça para removê-los, sem apertá-los, mas puxando com cuidado e firmeza.

Após retirar o parasita, é preciso lavar a região da picada com água e sabão. As roupas utilizadas devem ser limpas com água fervente, para a eliminação dos carrapatos.

É ideal que se monitore o estado de saúde e busque ajuda médica à presença do mínimo sintoma.

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