Petrobras Aponta Prejuízo Como Meramente Contábil: “Seguimos Avançando”, Diz CEO

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O balanço da Petrobras (PETR4), divulgado na noite de ontem (26), não trouxe grandes surpresas na parte de entrega operacional da companhia, mas as ações vêm renovando mínimas na sessão desta quinta-feira (27), com queda superior a 6%. O motivo? O prejuízo de R$ 17 bilhões registrado no último trimestre de 2024 e uma distribuição de dividendos abaixo do esperado, de R$9,1 bilhões. 

A situação expõe alguns dos medos dos investidores na atual gestão da estatal — a de que a geração de caixa seja prejudicada por políticas de preços ou um elevado patamar de investimentos, reduzindo assim o total disponível para se distribuir aos acionistas. 

O prejuízo teve origem em efeitos contábeis da desvalorização de ativos, o impacto da variação cambial em dívida contraída em moeda estrangeira e uma alocação de caixa maior do que o esperado com investimentos que só seriam feitos em 2025. Para o mercado, o último item é o que acendeu o alerta amarelo. 

Os efeitos não recorrentes que levaram ao prejuízo no trimestre foram a perda de US$ 4 bilhões com impairment e descomissionamento de plataformas, a variação cambial devido à dívida em moeda estrangeira foi de US$ 4,7 bilhões e os investimentos, que  passaram de US$ 4,4 bilhões no 3T24 para US$ 5,7 bilhões no 4T24.  

“A maior decepção foi o fluxo de caixa livre e os dividendos, com o capex mais alto do que o esperado, que certamente gerará controvérsias. Não acreditamos que a realidade seja necessariamente tão ruim quanto a reação inicial que o mercado sugere, mas acreditamos que levará alguns trimestres melhores de geração sólida de fluxo de caixa para remediar a decepção”, apontam Regis Cardoso e Helena Kelm, analistas da XP Investimentos. 

A receita e o Ebitda também sofreram recuos, mas o resultado já era esperado pelos investidores devido à desvalorização do petróleo e queda da produção no período. A receita foi de R$ 121,27 bilhões no quarto trimestre, queda de 9,7% no comparativo anual. Em 2023, a companhia havia tido o seu segundo maior lucro da história — o recuo para 2024 foi de 70,6%, a R$ 36,6 bilhões. 

A CEO da estatal, Magda Chambriard, começou o seu discurso na apresentação de resultados justificando os pontos polêmicos. “ A gente faz questão de dizer que esse prejuízo não tem nenhum efeito no caixa da companhia, foi um item contábil. 2024 foi positivo para a Petrobras e acreditamos que 2025 será ainda maior”, declarou. 

Rebatendo as preocupações com a geração de caixa, a executiva apontou a geração de R$ 124 bilhões (queda de 20,1% ante 2023), mesmo diante de preços mais baixos de brent e diesel, crescimento dos investimentos e queda da dívida bruta. 

Investimentos desenfreados? 

Falando sobre o temor de que a companhia invista mais do que possa sem comprometer a geração de caixa, Chambriard apontou que o capex acima do projetado não se repetirá no primeiro trimestre de 2025, já que os investimentos antecipados já foram feitos. 

O desembolso foi para uma das plataformas do campo de Búzios, que a companhia tem a expectativa que se torne o maior campo de exploração de águas profundas do mundo e que adicione R$ 2,2 bilhões no caixa no próximo triênio. Ela não descartou a possibilidade de que a companhia faça outros adiantamentos de investimentos em Búzios — todos com o intuito de geração de valor e “óleo novo”. 

“Entendemos a frustração do mercado com o dividendo de curto prazo, mas lembro que antecipar investimentos em Búzios é tudo que qualquer investidor pode querer. Mais produção em um campo altamente produtivo é óleo no bolso”, justificou. 

 

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