Carnaval 2025: Qual é o Impacto Financeiro da Folia no Bolso e na Economia?

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Uma das maiores festas populares do país, o Carnaval é conhecido por movimentar economias locais, gerar empregos, renda e aquecer o turismo. Para 2025, a previsão é que esse número bata recordes — assim como os gastos dos foliões.

De acordo com uma projeção realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a previsão do faturamento para os dias de folia é de R$ 12 bilhões em faturamento. Se os números se concretizarem, a edição deste ano pode ser a mais lucrativa desde 2015, com um crescimento de 2,1% no comparativo com 2024, quando o Carnaval foi celebrado no mês de fevereiro.

O Ministério do Turismo espera que a maior festa popular brasileira envolva mais de 53 milhões de pessoas em todos os estados. Isso é um aumento de 8% em relação ao ano passado. “A festa movimenta o turismo, aquece a economia e gera emprego e renda para milhares de famílias. Desde o vendedor da praia ao empresariado da rede hoteleira do país”, destaca o ministro do Turismo, Celso Sabino.

O Brasil se destaca na preferência de quem vem de fora por diversos fatores, como o fortalecimento da propaganda turística, a boa infraestrutura direcionada à recepção dos visitantes, o clima tropical, além do calendário agitado de eventos.

A economia carnavalesca

Cidade com fama mundial, o Rio de Janeiro atraí não só turistas brasileiros como também internacionais para a festa. O Carnaval carioca de rua espera 8 milhões de pessoas, movimentando R$ 5,5 bilhões, de acordo com a RioTur. Em 2025, 482 blocos sairão de vários pontos da capital, um aumento de 32 blocos em comparação a 2024.

Segundo a Booking.com, o Brasil é o país mais buscado por viajantes do mundo todo durante esse período, sendo o Rio de Janeiro o segundo destino mais cobiçado em escala global, atrás apenas de Dubai (Emirados Árabes Unidos). Durante o feriado, o aeroporto Rio Galeão estima a movimentação de 674 mil passageiros, sendo 411 mil em voos domésticos e 263 mil em voos internacionais. Esse número representa 22% a mais do que em relação à festa de 2024.

Já o Carnaval de rua em São Paulo, provavelmente, também quebrará recordes. São esperados 4,5 milhões de foliões no estado e uma movimentação de R$ 6,4 bilhões, segundo o Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), da Setur-SP. A previsão é de 65% de ocupação de hotéis e pousadas.

De acordo com Enio Miranda, diretor de Planejamento Estratégico do Núcleo de Pesquisa da Federação dos Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp), “o Carnaval está cada vez mais consolidado no calendário de eventos dos turistas estrangeiros”, afirma.

Esses viajantes gastaram R$ 31,6 bilhões no Brasil entre janeiro e outubro de 2024, um aumento de 11,9% ante o mesmo período de 2024, segundo dados do Banco Central (BC). Bruno Omori, diretor de Jogos e de Hospitalidade da Fhoresp, calcula que ao menos R$ 6 bilhões, de forma direta, devem ser injetados na economia paulista.

A folia deve impulsionar, ainda, o mercado de trabalho, com a criação de 300 mil postos temporários, no interior e no litoral do estado de São Paulo. O coordenador do Núcleo de Pesquisa da Fhoresp, Luís Carlos Burbano, destaca que esses empregos geram renda imediata para as famílias, contribuindo para a dinamização da economia local.

O governo de Minas Gerais projeta crescimento de 10% no número de pessoas curtindo o feriado no estado. Em 2024, foram 12 milhões. Entre os destinos preferidos estão a capital Belo Horizonte e Ouro Preto. Em Salvador, cerca de 850 mil turistas são esperados nos circuitos tradicionais da cidade. O feriado deve agitar a economia em R$ 1,8 bilhão, representando crescimento de 63% em relação a 2024, segundo o Observatório do Turismo da Secult.

Outro destaque é Pernambuco, onde o Carnaval se estende por dez dias, incluindo o feriado após a Quarta-feira de Cinzas. A expectativa é superar os números do ano passado, quando 2,3 milhões de turistas e excursionistas participaram das festividades.

Carnaval 2025 mais caro

Mesmo sendo sinônimo de alegria – principalmente para a economia brasileira- , o Carnaval também representa gastos – e, muitas vezes, o bolso pode sentir o peso. De acordo com um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) realizado com dados do IPC-10 das capitais, tradicionalmente conhecidas pelo Carnaval, Recife, Rio de Janeiro e Salvador, os principais produtos e serviços consumidos para as festividades apresentaram variação média de inflação de 4,42% no acumulado dos últimos 12 meses, uma alta em relação ao ano passado quando a inflação do Carnaval nessas cidades ficou em -1,83%.

Além desse aumento nos preços, quem sai às compras para curtir a folia pode se deparar com um imposto de até 57% sobre alguns itens tradicionais carnavalescos. Segundo uma pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), com base na tabela do Impostômetro, itens como whisky, máscara de lantejoulas, fantasias e chope estão entre os mais tributados no estado de São Paulo.

Alguns especialistas também afirmam que os preços dos produtos na época do Carnaval podem ser mais altos do que em datas regulares do ano por conta da demanda. Por isso, para quem não deseja desembolsar tantos reais nas fantasias, uma alternativa é reutilizá-las ou usar a criatividade para a comemoração não sair mais cara do que o previsto, recomenda o economista Ruiz de Gamboa da ACSP.

Apesar dos custos elevados, a expectativa é de crescimento nas vendas. Uma pesquisa do Instituto de Economia Gastão Vidigal mostrou que os ganhos devem aumentar em 15% no Carnaval em relação ao feriado de 2024.

Impacto na arrecadação

A movimentação econômica mais intensa do período acaba refletindo nos cofres públicos, já que a arrecadação de impostos vindas de produtos tradicionais da época cresce por diferentes fatores. Por exemplo, as passagens aéreas e pacotes de turismo são influenciados por câmbio e custo de combustível. Já para bebidas, a demanda por período e a carga tributária podem ser uma razão determinante para a elevação dos preços.

Esses elevados impostos colocados sobre os itens típicos do Carnaval devem-se ao sistema tributário brasileiro. Para Gamboa, o Brasil impõe altas taxas nos itens de consumo em geral. “No caso das bebidas alcoólicas, a alta carga tributária pode ser justificada como uma forma de evitar o consumo excessivo por parte dos foliões”, explica Gamboa. No entanto, ele não vê um motivo aparente para os altos impostos cobrados de produtos como fantasia de carnaval, máscara de plástico, entre outros.

Em primeiro lugar no ranking, o whisky aparece com o maior índice de tributos, em 56,40%. Na sequência estão o chope e a máscara de lantejoulas, com taxas de 44,39% e 46,38%, respectivamente. Ainda no top 5 estão a fantasia de carnaval (45,66%), bijuterias (42,43%) e o colar havaiano (38,97%). “Essa carga tributária é equivalente à da Grã-Bretanha, sendo que nossa renda por habitante é bastante inferior à dos países desenvolvidos”, ressalta o economista.

Aqui está a porcentagem de tributação sobre os produtos carnavalescos:

  • Cachaça: 43,8%
  • Caipirinha de aguardente: 43,8%
  • Chope: 44,3%
  • Máscara de plástico: 46,6%
  • Refrigerantes (lata): 36,5%
  • Colar havaiano: 38,9%
  • Óculos de sol: 43,9%
  • Pacote hotel, ingresso e van – desfile Carnaval: 25,1%
  • Sorvete de massa/picolé: 38,7%
  • Cerveja (lata): 39,0%
  • Preservativo: 22,1%
  • Máscara de lantejoulas (carnaval): 46,3%
  • Biquini: 36,0%
  • Fantasia carnaval – roupa tecido: 45,6%
  • Pandeiro: 36,5%
  • Água mineral: 22,0%
  • Água de coco: 22,0%
  • Passagem aérea: 22,1%
  • Whisky: 56,4%
  • Água com açúcar e edulcorantes (H20): 34,5%
  • Suco pronto: 36,5%
  • Bijuterias: 42,43%

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