Ovo faz mal? Substância presente pode estar ligada ao câncer, segundo pesquisas

Será que o ovo faz mal? O alimento, por si só, não — mas um novo estudo publicado na revista científica Science acende um alerta para o ácido linoleico, um tipo de gordura ômega-6. O ácido linoleico está presente em alimentos como ovos, soja e óleos vegetais.

Ovo mexido com coentro

Substância encontrada em ovo pode estimular o crescimento de células tumorais – Foto: Canva/ND

A pesquisa indica que essa substância pode estimular o crescimento de células tumorais no caso do câncer de mama triplo negativo.

Diferentemente de outros tipos de câncer de mama, o triplo negativo não possui os três receptores mais comuns (estrogênio, progesterona e HER2), o que o torna mais difícil de tratar.

Como o o ácido linoleico presente no ovo atua

Segundo os pesquisadores, o ácido linoleico atua diretamente em uma via metabólica fundamental para o crescimento celular, chamada mTORC1 (mammalian Target of Rapamycin Complex 1), que funciona como um sensor de nutrientes no organismo.

Esse mecanismo é essencial para regular o crescimento celular. Quando há nutrientes disponíveis, o mTORC1 é ativado — inclusive em células tumorais, favorecendo seu desenvolvimento.

A novidade trazida pelo estudo está na identificação de que o ácido linoleico, presente em altas quantidades em produtos como óleos de soja e cártamo, carnes suínas e ovos, ativa especificamente essa via em células do câncer de mama triplo negativo.

A proteína FABP5

Imagem de carne, com ovo e sojas

O ácido linoleico está presente em ovo, sojas, carnes e óleos – Foto: Canva/ND

Os cientistas descobriram que essa ativação acontece apenas quando há alta expressão da proteína FABP5, responsável por transportar ácidos graxos no interior das células. Em tumores triplo negativos, essa proteína aparece em níveis elevados.

O ácido linoleico se liga a ela e desencadeia uma série de reações bioquímicas que resultam na ativação do mTORC1 e, consequentemente, na multiplicação mais rápida das células cancerígenas.

Implicações para a saúde e a nutrição

Embora o corpo humano não produza os ácidos graxos essenciais como o linoleico (ômega-6) e o alfa-linolênico (ômega-3), eles são obtidos pela alimentação.

Enquanto os ômega-3 têm propriedades anti-inflamatórias e são benéficos à saúde cardiovascular e neurológica, os ômega-6, em excesso, estão associados a processos inflamatórios — o que pode favorecer o surgimento de doenças crônicas e, como indica o estudo, certos tipos de câncer.

Estudos anteriores, como um publicado na Breast Cancer Research, já sugeriam uma correlação entre desequilíbrios no consumo de ômega-6 e o risco aumentado de câncer de mama. No entanto, esta nova pesquisa esclarece mecanismos moleculares específicos dessa associação.

Imagem de ampolas de vitaminas

O linoleico (ômega-6) e o alfa-linolênico (ômega-3), eles são obtidos pela alimentação – Foto: Pixabay/ND

O que isso significa na prática?

Para os especialistas, os resultados não significam que o consumo de ovos ou óleos vegetais deva ser totalmente evitado.

Em vez disso, eles destacam a importância de equilibrar a ingestão de gorduras na dieta, priorizando fontes de ômega-3 e evitando o excesso de alimentos ricos em ômega-6, especialmente para pessoas com predisposição genética ao câncer ou histórico familiar da doença.

“Sabemos agora que o ácido linoleico alimenta o crescimento de células cancerígenas de maneira muito específica. Essa descoberta nos ajuda a entender melhor a relação entre gordura alimentar e câncer, e pode guiar recomendações nutricionais personalizadas no futuro”, afirmam os autores do estudo.

*Importante: este conteúdo não substitui avaliações profissionais com médicos ou outros especialistas nas áreas de saúde e bem-estar.

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