Encontre o que a impulsiona e siga de cabeça erguida. Por Ana Paula Lima

Ana Paula Lima escreve artigo sobre a força das mulheres que enfrentam estereótipos, lutam por igualdade e seguem firmes, impulsionadas por seus ideais.

Ana Paula Lima fala de igualdade para mulheres.

Poderia ser menos meiga. Precisa ser mais durona; desse jeito, ninguém vai respeitá-la. Ela assusta quando fala. É muito incisiva. Até parece um homem. Esses comentários são frequentes quando uma mulher decide conquistar seu próprio espaço. Sempre há alguém dando opinião, dizendo como é melhor agir e se comportar. É impossível agradar a todos. É impossível ser o que não somos. Por isso, como mulher, meu conselho é simples e prático: seja você mesma. Lute por suas ideias, encontre o que a impulsiona e siga de cabeça erguida.

“Faça assim” ou “faça daquele outro jeito”. “Seja assim”. “Vista-se desta forma”. Nada disso se sustenta se, por dentro, a razão de ser não estiver resolvida, se o ideal não estiver claro. Realmente, os números comprovam, mas não são só eles: uma série de questões culturais presentes na sociedade dificultam a conquista da equidade de gênero. As barreiras vão desde a falta de tempo – devido à sobrecarga de funções – até a carência de oportunidades.

Recentemente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou o novo painel “Violência Contra a Mulher” (https://justica-em-numeros.cnj.jus.br/painel-violencia-contra-mulher/), e os dados comprovam que ainda há necessidade de muitos avanços. Somente em 2024, a Justiça julgou quase 11 mil processos de feminicídio, mortes de mulheres motivadas por menosprezo ou simples discriminação à condição feminina. Essas estatísticas são fundamentais para o desenvolvimento e a ampliação de políticas públicas, que devem considerar vários fatores. Um dos mais relevantes é a sanidade mental dessas mulheres, para que possam continuar seus caminhos, seja como profissionais, mães ou simplesmente mulheres (o que quiserem ser).

Não muito longe, o 5º Relatório “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil” mostra que nove em cada dez agressões cometidas contra mulheres nos últimos 12 meses, o equivalente a 91,8%, foram testemunhadas por outras pessoas (Fonte: Agência Brasil).

Os estereótipos são verdadeiros limitadores nesse trajeto, pois têm a capacidade de enraizar preconceitos e crenças ao longo de décadas.

Os três mandatos do presidente Lula foram marcados por políticas públicas voltadas para o exercício pleno dos direitos das mulheres. Durante suas gestões, foi criado, pela primeira vez na história do Brasil, um Ministério das Mulheres. Foi aprovada a Lei de Igualdade Salarial entre Mulheres e Homens. A segurança pública passou a dedicar um eixo exclusivo para a proteção da vida das mulheres. O Programa “Mulher Viver Sem Violência” foi retomado, com ações integradas nas áreas de segurança, saúde, previdência, justiça, rede socioassistencial e promoção da autonomia financeira.

O “Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios”, com o objetivo de prevenir todas as formas de discriminação e violência contra mulheres e meninas, foi instituído. Além disso, o governo federal está investindo na construção de 1.178 novas creches e pré-escolas de educação infantil. O programa “Escola em Tempo Integral” foi criado para que as mães possam trabalhar com a tranquilidade de saber que seus filhos estão bem cuidados.

Por meio do programa “Elas Empreendem”, é possível incentivar o potencial empreendedor das mulheres brasileiras. O empreendedorismo é um caminho que muitas mulheres estão trilhando. No entanto, o empreendedorismo feminino representa muito mais do que abrir um negócio. Trata-se de empoderamento econômico, igualdade de gênero e transformação social. Quando uma mulher inicia e desenvolve seu próprio negócio, ela gera empregos, impulsiona a inovação e contribui para a economia.

As mulheres empreendedoras possuem alta escolaridade – se comparada à dos homens – e mais da metade delas, além de empreendedoras, são responsáveis pelo sustento da família. Além disso, a maioria da população brasileira é composta por mulheres e, ao longo dos anos, sua participação no mercado empreendedor tem aumentado. Atualmente, 55% das pessoas com intenção de empreender até 2026 são mulheres.
Sem dúvida, o Brasil avançou, mas ainda há muito a ser feito. E a principal luta é para sermos sempre nós mesmas, em nossa plenitude!


Ana Paula Lima é deputada federal (PT/SC), vice-líder do governo e secretária da Primeira Infância, Infância e Juventude da Câmara dos Deputados

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