Carnaval o Ano Todo: Mulheres que Transformaram a Festa em Negócios

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Carnaval é sinônimo de festa, mas também um poderoso motor da economia. Para as empresárias que fazem a folia acontecer, a data está no centro do calendário e representa pelo menos metade do faturamento anual. “É praticamente Carnaval o ano todo”, diz Carol Sampaio, à frente do Nosso Camarote, espaço de 5.900 m² no setor 10 da Marquês de Sapucaí.

Para Ju Ferraz, sócia e diretora da Holding Clube, responsável pelo Camarote Nº1, a festa também não para. A equipe já inicia os preparativos na segunda-feira seguinte ao Desfile das Campeãs. “Temos um dia para dormir e recomeçar”, conta ela, que trabalha com Carnaval desde os 17 anos. Em sua 34ª edição, o evento representa cerca de 50% dos negócios do Clube Nº1, que também faz Réveillon e outros eventos.

A mesma dinâmica rege a Meiota, marca carioca fundada por Yasmin Pu Waksman e Isadora Villarim. O Carnaval responde por metade do faturamento anual da empresa, que cria figurinos exclusivos, veste celebridades como Anitta e Iza e assina colaborações com marcas como Farm, além de projetos para a Globo. “Estamos conquistando cada vez mais fashionistas, influenciadoras e celebridades que buscam peças únicas para ocasiões especiais”, afirma Yasmin.

Para Clarissa Viegas, fundadora da Ohlograma, o impacto é ainda maior: a data representa 75% do faturamento da marca. “Carnaval, para mim, é coisa séria”, diz ela, que viu suas criações ganharem projeção nacional ao firmar uma collab com a C&A. “É uma alegria imensa ver o Carnaval consolidado no calendário da moda e do varejo brasileiro.”

Na avenida, Vanessa Rodrigues faz arte com suas fantasias. Designer e destaque de chão da Camisa 12, de São Paulo, ela traz sua experiência de quase duas décadas nos desfiles para entender exatamente o que suas clientes querem. “Sei o que de fato é confortável e o que só funciona para a foto”, explica. Fantasias de luxo podem custar entre R$ 20 mil e R$ 30 mil, a depender dos detalhes e materiais utilizados.

Outro nome de peso na avenida é Solange Cruz Bichara, presidente da Mocidade Alegre, que já conduziu a escola a oito títulos em São Paulo, incluindo os dois últimos consecutivos.

A seguir, conheça as histórias de mulheres que atuam em diferentes frentes e fazem o Carnaval acontecer.

Ju Ferraz: filha do Carnaval

“Sou filha do Carnaval. Meu aniversário é dia 9 de fevereiro, o mesmo de Carmen Miranda, então você já imagina onde começa essa relação”, diz Ju Ferraz, sócia, diretora de negócios e RP do grupo de marketing Holding Clube, responsável pelo camarote Nº1, uma área de 3.800 mil metros quadrados no setor 2 da Marquês de Sapucaí.

A soteropolitana com quase 30 anos de carreira no universo de comunicação e eventos trabalha com carnaval desde os 17. “E acho que seguirei assim até o fim da minha vida”, afirma. “Já curti muito o Carnaval, e sou apaixonada pelo que faço, mas o foco agora é o trabalho”, diz a empresária, responsável por captar patrocínios, receber clientes e trabalhar com as musas e influenciadores junto de um time de 7 sócios e 400 profissionais.

A 34ª edição do camarote, que integra o Clube Nº1, terá apresentações de João Gomes, Matuê, Xande de Pilares, Vintage Culture e mais para um público em torno de 13 mil pessoas em quatro dias. A plataforma de eventos, que também é responsável pelo Réveillon Arcanjos Nº1, área exclusiva no Tomorrowland Brasil e linha de produtos licenciados, fechou o último ano com faturamento de R$ 65 milhões, e a meta é crescer 20% até o fim de 2025.

Hoje, o Camarote Nº1, que adicionou R$ 10 milhões em investimentos este ano, representa cerca de 50% dos negócios do Clube. Os ingressos para cada dia de folia partem de R$ 3.600 e chegam até R$ 5 mil por pessoa.

Carol Sampaio: 30 carnavais na Sapucaí e 7 à frente do Nosso Camarote

O Carnaval é tão presente na vida de Carol Sampaio que ela se casou na Sapucaí em 2023, entregou cinco dias de festa grávida de oito meses em 2024 e retorna este ano para o seu primeiro carnaval como mãe. “Sou abençoada por poder trabalhar com algo que genuinamente toca meu coração”, diz a empresária, que está à frente do Nosso Camarote, criado por ela há sete anos, e também do Baile da Favorita.

Neste ano, investiu R$ 35 milhões para mais do que quadruplicar o camarote no setor 10 da Sapucaí. Em 2025, serão 5.900 m² de espaço, o maior da avenida, para receber 3500 pessoas por dia. “É importante saber potencializar aquilo que dá certo”, diz ela, que trabalha com eventos desde os 17 anos. Este será o primeiro ano com três dias de desfile do grupo especial. “É algo super interessante e, ao mesmo tempo, desafiador.”

A programação de seis dias de folia terá shows de artistas como Ivete Sangalo, Anitta, o rapper Ja Rule, Luísa Sonza, Thiaguinho, entre outros. Para colocar a festa de pé, é pouca farra e muito trabalho. “Quando o dever chama, eu sempre atendo. Porém, quando o trabalho é entregue, é a melhor sensação do mundo.”

Ainda em março, ela já estará pensando no Carnaval 2026. Carol é responsável pelo comercial, mas também fica de olho em todos os processos, da cenografia às atrações, liderando um time de 550 pessoas.

O ingresso para um dia de camarote chega a R$ 7.300, enquanto o pacote para todos os dias de festa atinge R$ 21.200 por pessoa.

Luciana Villas Boas: a mulher que movimenta R$ 150 milhões

Uma soteropolitana está à frente do camarote mais disputado da capital mundial do carnaval de rua. Luciana Villas Boas é diretora executiva da Premium Entretenimento, responsável pelo Camarote Salvador, há 11 anos.

Antes disso, a executiva soteropolitana fez carreira na Rede Bahia, afiliada da Globo, onde passou por diferentes posições, do marketing ao planejamento e recursos humanos, em 20 anos. “Sempre acreditei nesse viés de planejamento. E saber lidar com pessoas é fundamental para montar um evento desse porte.”

O maior camarote do carnaval baiano, que completa 25 anos este ano, movimenta cerca de R$ 150 milhões na economia local. Este ano, reunirá cerca de 70 atrações musicais do dia 27 de fevereiro a 4 de março, em uma estrutura de 11 mil m², seis pavimentos e três palcos. O line up, que vai do axé ao eletrônico, conta com nomes como Marina Sena, Alok, Carlinhos Brown, Ivete Sangalo e Léo Santana. “Compensamos 110% de tudo o que emitimos”, diz Luciana. O objetivo é ser um evento Lixo Zero a partir deste ano.

Os preços começam em R$ 2.690 para um dia e podem chegar a R$ 23.940 para aproveitar os seis dias de festa.

Clarissa Romancini Viegas, fundadora da Ohlograma: Carnaval é coisa séria

A designer de moda já tinha 20 anos de experiência em pequenos ateliês e grandes empresas, como Farm e Salinas, quando decidiu fundar a Ohlograma em 2019. “Começou como uma brincadeira – como o próprio Carnaval”, conta Clarissa Viegas, natural de Brasília e nascida em um sábado de Carnaval. Seus amigos iam para a sua casa se vestir para blocos e festas com o acervo que ela garimpava. “Um dia uma amiga sugeriu: ‘Por que não parar de gastar dinheiro e começar a ganhar?’”

Fizeram uma sociedade que logo se tornou carreira solo. De início, Clarissa lançou uma coleção de headpieces (adereços de cabeças), mas depois entendeu que fazer o look completo com tudo o que o carnaval permite aumentaria o tíquete médio. Hoje, já vestiu celebridades como a cantora Anitta, faz peças por encomenda e vende suas coleções no site, Instagram e no atelier no Leblon. Já fez collabs com a C&A, desfile com Isabela Capeto e Stella Artois e Camarote da Arara. “Quando a C&A me chamou, foi a oficialização da entrada do carnaval no calendário do varejo nacional.”

Coleção Carnaval 2025 da Ohlograma

Para ela, o Carnaval é uma paixão, mas também é o motor do seu negócio. Representa 75% do faturamento anual, e o restante fica por conta de festa junina, Halloween, figurinos e cenografias especiais. “Poder fazer disso minha rotina é de um privilégio sem igual”, diz ela, que mira a expansão da marca para vender online para todo o Brasil e também fora. “Existem muitos festivais internacionais ao longo do ano onde as pessoas vão muito adornadas, como Coachella, Burning Man. É uma forma de quebrar a sazonalidade do negócio.”

Para Yasmin Pu Waksman e Isadora Villarim, do Meiota, Carnaval é 50% do faturamento anual

Yasmin Pu Waksman e Isadora Villarim lideram o Meiota, estúdio que faz figurinos exclusivos, veste celebridades como Anitta e Iza em seus clipes e tem collabs carnavalescas com a Farm.

Yasmin começou com uma marca de acessórios, fez uma pausa e retornou quando o Grupo Soma abriu um camarote na Sapucaí e buscava indicações de designers para figurinos. “A partir daí, virou uma marca de figurino, sempre com collabs com artistas e pessoas que eu admirava”, conta a carioca. De uma parceria com a stylist Isa Villarim, nasceu uma sociedade. “Amamos o Carnaval. Eu sou mais dos blocos de rua, e a Isa, por trabalhar com moda, é dos carnavais sofisticados.”

A marca mescla o que há de melhor nesses dois mundos. “Criamos peças bastante sofisticadas, mas com um toque moderno e sexy.” São duas coleções por ano: uma para o Carnaval e outra para a festa junina. “Não temos um grande estoque, funcionamos quase como um atelier, com projetos personalizados”, explica Yasmin, citando trabalhos para a TV Globo e um figurino desenvolvido com a Farm para a atriz Camila Pitanga usar no Carnaval da Arara.

Peça da coleção de Carnaval 2025 da Meiota

O Carnaval representa 50% do faturamento anual, com receita de cerca de R$ 300 mil. Neste ano, a dupla também planeja expandir o portfólio com o lançamento da primeira coleção de Réveillon.

Vanessa Rodrigues e as fantasias de luxo na avenida

Diante da dificuldade em encontrar fantasias de qualidade, Vanessa Rodrigues, destaque de chão da Camisa 12 e ex-Vila Maria, em São Paulo, começou a levar materiais exclusivos para o ateliê de um amigo e acompanhar de perto a confecção dos figurinos. “Comecei a fazer fantasias de luxo para mim e os clientes se interessaram.”

Com o tempo, decidiu abrir seu próprio ateliê, onde hoje cria suas próprias fantasias e atende rainhas e musas de escolas de samba. Formada em contabilidade, Vanessa se diferencia por sua experiência de quase 20 anos na avenida, entendendo as necessidades de quem veste os figurinos. “Sei o que de fato é confortável e o que só é bonito para a foto.”

“É um trabalho de consultoria completo. Às vezes vamos até a concentração e dispersão para ajudar a tirar o peso e oferecer um chinelo e um roupão para a cliente. Também fazemos costeiros desmontáveis que podem ser colocados na horas do desfile ou das fotos para que as musas, rainhas e destaques não entrem cansadas na avenida.”

Esse tipo de fantasia fica entre R$ 20 mil e R$ 30 mil, a depender da quantidade de penas usadas. Ela explica que um figurino de musa não leva menos de 10 dias para ficar pronto. Para as fantasias de destaque de carro, pode levar até 30 dias. Hoje, mais de 90% dos seus clientes estão no exterior, incluindo brasileiros e estrangeiros.

Solange Cruz Bichara e o sucesso da Mocidade Alegre no Carnaval de SP

A liderança feminina brilha na avenida. Solange Cruz Bichara preside a Mocidade Alegre desde 2003 e tem sido peça-chave no sucesso da escola no Carnaval de São Paulo. Sob a sua gestão, a agremiação conquistou oito títulos, incluindo os dos últimos dois anos.

Filha de um dos fundadores da tradicional escola de samba, Solange, então vice-presidente da Mocidade, herdou a presidência da escola de samba paulistana da Zona Norte após a morte da sua irmã, Elaine Cristina Cruz Bichara.

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