‘O crime foi planejado’, diz delegado sobre homicídio de casal em Itajaí

Nesta segunda-feira (2), a Polícia Civil de Itajaí, por meio da Divisão de Investigação Criminal (DIC), deu detalhes sobre a investigação do duplo homicídio que vitimou um casal no último dia 23.

Imagem mostra, à esquerda, suspeito pelo crime e, à direita, casal morto no último dia 23

Filho foi preso suspeito de matar mãe e padrasto em Itajaí – Foto: Reprodução/Internet

O casal Pedro Ramiro Souza, de 47 anos, e Susimara Gonçalves Souza, de 42, foi encontrado morto com sinais de asfixia e mãos amarradas.

Em uma coletiva de imprensa, o delegado regional Marcio Luiz Colatto e o delegado de homicídios da DIC Roney Gonçalves Alves esclareceram os motivos que levaram o filho de uma das vítimas, Walter Alexandre Gonçalves, ser preso preventivamente neste domingo (1º).

Operação Saisine

A prisão do suspeito faz parte da primeira fase da operação Saisine. O nome para a operação foi escolhido em alusão ao termo jurídico presente no Código Civil Brasileiro e que fala sobre a transmissão de bens a herdeiros.

Foto mostra delegados durante coletiva de imprensa sobre casal morto em Itajaí

Delegados falaram sobre investigação durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira – Foto: Beatriz Nunes/ND Mais

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que a motivação do crime seria o o acesso à herança deixada pelo casal, que tinha uma loja de decoração na cidade.

“Não descartamos novos elementos para que possamos melhor esclarecer, mas nesse primeiro momento ficou bem evidente para a equipe com o que a gente reuniu que o crime foi cometido com essa motivação”, disse o delegado Roney.

‘O crime foi planejado’

Assim que tiveram a notícia do que havia ocorrido, a polícia mobilizou equipes para a resolução do crime. Durante os dias que se passaram, foram analisadas a rotina do casal, imagens de câmeras de monitoramento e a reconstituição da noite do crime.

Suspeito de matar casal em Itajaí estava de olho na herança, aponta polícia – Foto: Reprodução/ND

Segundo o delegado da DIC, na noite do dia 23 o casal saiu para jantar, foi para um karaokê e, antes de voltar para casa, passou em uma lanchonete para comprar comida para viagem.

Ao fazer a análise das câmeras, os investigadores descartaram a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte), uma vez que os autores entram na casa pelo menos duas horas antes do crime utilizando o controle do portão.

“O crime foi planejado. No primeiro momento, trabalhamos com uma linha mais direta, de um princípio de oportunidade, ou mesmo alguém que conhecia a rotina e naquele momento resolveu abordar o casal e efetuar algum crime patrimonial, ou um furto que tivesse ocorrendo na casa quando o casal ingressasse ali e acabasse culminando na morte. Contudo, quando a gente observa as câmeras, percebemos que os executores chegam no local com uma antecedência considerada, que foge ao comum, e que realmente teriam ficado aguardando no interior da residência até chegar o casal”, comenta o delegado.


Imagens da câmera de monitoramento mostra quando casal chega em casa e grito da mulher – Vídeo: Reprodução/ND

Além disso, o delegado explica que, se a intenção dos invasores fosse apenas roubar algo da casa, eles teriam tido tempo suficiente para fugir enquanto o casal desembarca do carro.

“Outro ponto que nos ajudou a afastar essa possibilidade é porque quando o casal chega, pelo tempo que eles demoram até ingressar na garagem, desembarcar e ir no interior da residência, eles poderiam sair do local. Não pela frente da casa, mas por trás. Os fundos da casa dão numa área de vegetação vasta e que inclusive tinha uma passagem bem propícia para que houvesse uma fuga caso as quisessem”, explica dr. Roney.

Invasão e roubo após o crime

Foto mostra casa onde casal foi morto em Itajaí

Casa de casal assassinado em Itajaí é saqueada na madrugada desta quarta-feira (27) – Foto: Juliana Senne/NDTV

Na madrugada da última quarta-feira (27), duas pessoas teriam invadido a casa onde o duplo homicídio ocorreu para roubarem objetos. A denúncia veio de uma motorista de aplicativo que foi chamada pelos suspeitos.

Aos policiais, ambos informaram que entraram na casa, separaram os objetos, comeram a comida que estava na geladeira e até chegaram a dormir no local enquanto aguardavam a chegada do resgate deles.

Durante a coletiva, a Polícia Civil disse não descartar uma relação entre este furto e o crime ocorrido poucos dias antes.

“Essa é uma investigação muito complexa. Ela demanda um empenho grande. Não afastamos a possibilidade que aquela ida à residência tenha sido algo provocado para, de certa forma, ou atrapalhar a linha que já tínhamos, ou mesmo uma situação em que fugiu ao que foi ajustado entre as partes que ingressaram no local”, salienta o delegado.

Filho não confessou o crime

Segundo a polícia, os executores chegaram ao local do crime com uma motocicleta. Há a convicção de que ao menos duas pessoas estavam na casa no momento da execução do casal, sendo Walter uma delas. Além dele, um comparsa ainda não identificado teria ajudado no homicídio.

Até o momento, Walter se manteve em silêncio e não confessou participação no crime que culminou na morte de sua mãe e padrasto. Ele não tem antecedentes criminais. A polícia define o crime como um duplo homicídio qualificado.

Os investigadores trabalham, agora, para identificar o segundo suspeito visto entrando na casa no dia do assassinato.

 

 

 

 

 

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