Rentabilidade Garantida? O Que Ninguém te Conta sobre Promessas de Investimento

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No seu cotidiano como investidor, é muito provável que você receba abordagens de seu gerente de banco ou assessor de investimentos, apresentando estratégias cuja promessa é superar o mercado. Em geral, fundos de investimento utilizam benchmarks aliados às suas alocações e buscam entregar rentabilidades acima desses índices.

Ocorre, entretanto, que junto dessas promessas vêm dois elementos: provas pontuais que normalmente são recortes de períodos específicos que favorecem a estratégia apresentada e o disclaimer de que “rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura”.

Até aqui, tudo certo, afinal, os fundos precisam vender seus produtos, os seus departamentos jurídicos precisam assegurar que os gestores não enfrentem problemas legais, as corretoras precisam movimentar as vendas para gerar receita e você, investidor, quer maximizar seus ganhos.

A questão é que o mercado é volátil e incerto. Isso significa que, muitas vezes, as projeções de rentabilidade não se concretizam. Quando isso acontece, as partes envolvidas já terão garantido seus ganhos (taxas de administração, comissionamentos e, eventualmente até o PPR do jurídico) menos você, o investidor.

Não estou dizendo com isso que as pessoas não devam ser pagas, é claro que devem, afinal trabalharam. Também não estou afirmando que você, investidor, foi enganado. Na imensa maioria das vezes, não é esse o caso. Meu ponto aqui hoje é outro: você precisa ter clareza sobre como toma suas decisões de investimento.

Narrativas influenciam suas escolhas

Em geral, as narrativas envolvidas na oferta de um produto financeiro sempre irão apelar para o seu lado mais instintivo e, especialmente, para várias emoções humanas, como por exemplo, ganância e medo.

É comum que dados 100% verdadeiros sejam apresentados de uma forma que enfatize os ganhos potenciais, minimizando os riscos envolvidos. Esse enquadramento estratégico mexe com nosso psicológico, levando muitos investidores a tomar decisões impulsivas.

Agora, talvez você esteja pensando: “Isso não acontece comigo! Eu não caio nesse jogo dos gatilhos mentais.” A realidade, no entanto, é que isso acontece o tempo todo, até com os investidores mais experientes.

Nosso cérebro tende a valorizar informações que confirmam o que já queremos acreditar, ignorando aquilo que desafia nossas convicções. Quando combinamos teoria financeira, dados estatísticos reais e que sejam uma foto do melhor ângulo do produto, somadas a frases de efeito que toquem fundo em nossa aversão à perda, nossa ganância, e otimismo desproporcional, em poucos instantes estamos prontos para investir em algo sem nem mesmo ponderar se faz sentido dentro da nossa estratégia.

Seus investimentos, sua responsabilidade

Se você já investiu em algo que não deu certo, culpar quem te vendeu o produto não adianta. No fim das contas, o responsável pelos seus investimentos é apenas você mesmo. Cabe a você buscar conhecimento e informações qualificadas que te ajudem a fazer avaliações críticas e atentas.

O mercado sempre terá pitch de vendas com diferentes narrativas, adequadas a cada perfil de investidor. Histórias que enfatizam a segurança e proteção do patrimônio ressoam junto aos investidores conservadores, enquanto os arrojados sempre irão se empolgar e colocar seu foco em histórias que falem sobre crescimento acelerado e multiplicação de patrimônio.

E sempre haverão também histórias incríveis e cheias de dados verdadeiros, confirmando as teses dos especuladores que desejam as “oportunidades da década”, e sempre acreditam que são parte de um seleto grupo mais esperto que o mercado.

A verdade é que todo release comercial de um produto financeiro ou a abordagem do profissional que oferece o produto, tem como objetivo gerar desejo no investidor, e é natural que seja assim, pois todos precisam atrair investimentos.

O enquadramento da apresentação de um produto sempre terá a ênfase nos benefícios, e os riscos serão mencionados atendendo ao mínimo obrigatório exigido pela regulamentação. O problema ocorre quando você decide apenas focado nos benefícios, sem ponderar o custo x benefício.

Não existe almoço grátis

A ganância sempre esteve no topo da lista dos defeitos humanos. Desde filósofos até líderes religiosos, todos alertam sobre seus perigos. Mas, ironicamente, é a ganância que movimenta os mercados financeiros.

Por isso, muitas narrativas de investimento giram em torno da ideia de ganhos fáceis e oportunidades raras. Afinal, a história que todos querem ouvir é: “Existe um investimento sem risco e com alto retorno. Você só precisa ser mais esperto que os outros.”

Esse é o sonho de qualquer investidor: encontrar o equivalente a um “almoço grátis” no mercado financeiro, mas isso não existe. Mesmo que você acredite ter descoberto a melhor de todas as estratégias de investimento, deve se perguntar o que faz com que ela funcione, isso vai lhe permitir avaliar sua viabilidade, e também modificar e ajustar a estratégia frente às mudanças no mundo.

Nenhuma estratégia funciona todas as vezes

Entender a teoria ajuda a determinar os períodos em que uma estratégia tem maior chance de funcionar ou de fracassar. Por exemplo, se você considera ações com dividendos elevados como alternativa à renda fixa, essa abordagem ganha muito mais relevância quando as taxas de juros estão baixas, embora possa ser usada independente disso, de acordo com a estratégia de alocação de sua carteira.

A minha insistência para que você busque conhecimento, para que estude ao menos os fundamentos básicos de cada classe de produtos, é porque isso vai te salvar de cair em conversas desconexas de internet, onde nem todo mundo é bem intencionado ou tem expertise real para te orientar em suas escolhas.

É imprescindível que você aprenda a identificar em cada tipo de investimento quais são os pontos de atenção e avaliar o que está sob seu controle. Esse entendimento é que vai te dar a real dimensão do risco e não o termômetro colorido de classificação baixo-médio-alto presente em qualquer lâmina de produto financeiro.

Toda narrativa tem seus pontos fortes e fracos

Você certamente já ouviu a frase: “para cada escolha uma renúncia”. No mundo dos investimentos não é diferente. Toda estratégia terá vantagens e desvantagens, e toda lâmina de produtos, irá enfatizar os pontos fortes e não os fracos.

Sendo assim, cabe a você como investidor ter sua estratégia de investimentos muito clara, para decidir com autonomia quais os riscos que está disposto a correr e de quais formas deseja se expor a eles.

Só um planejamento sólido pode te blindar contra as propostas altamente sedutoras que o mercado terá todos os dias. Para investir com segurança e eficiência, minha recomendação é:

  1. Defina uma estratégia clara para sua carteira, com metas, prazos, plano de aportes e acompanhamento contínuo.
  2. Busque informações consistentes em fontes confiáveis e profissionais devidamente credenciados.
  3. Sempre esteja preparado para questionar qualquer oferta que pareça boa demais para ser verdade.

No mercado financeiro, o caminho para ter êxito não é acreditar em histórias, mas construir a sua própria.

 

Eduardo Mira é investidor profissional, analista CNPI, pós-graduado em pedagogia empresarial, coordenador do MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos da Anhanguera Educacional, sócio do Clube FII e sócio fundador da holding financeira MR4 Participações.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

 

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