Por que a Geração Z Confia Mais na IA do Que nos Humanos no Trabalho?

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A geração Z tem sido alvo de críticas por parte das gerações mais velhas e de líderes empresariais. Os jovens profissionais são acusados de impor muitas regras, se recusarem a cumprir exigências corporativas e carecerem de etiqueta, confiabilidade e flexibilidade. Em um estudo, 45% dos recrutadores os descreveram como difíceis de gerenciar, preguiçosos e irresponsáveis. Muitos empregadores estão demitindo esses jovens poucos meses após a contratação. Não é surpresa, portanto, que uma pesquisa recente revele que a geração Z confia mais na inteligência artificial do que em seres humanos como mentores no trabalho.

O estudo da empresa de IA Pearl, realizado pela companhia de pesquisa de mercado Censuswide, investigou o quanto os americanos se sentem à vontade para buscar respostas na inteligência artificial em vez de recorrer a pessoas. Especificamente, a pesquisa fez a seguinte pergunta: “A tecnologia poderia ajudar a Geração Z a resolver a apatia e o desalinhamento que sentem no ambiente de trabalho ou apenas agravaria esses problemas?”

Os resultados mostram que 28% dos americanos ainda se sentem mais confortáveis discutindo questões no trabalho com seus gestores do que com a IA. No entanto, algumas pessoas têm receio de fazer perguntas, o que as leva a recorrer a plataformas de busca com IA, aumentando tanto o risco de responsabilidade para essas plataformas quanto o risco de danos para os usuários.

A geração Z é a mais propensa a depender da inteligência artificial no trabalho. De acordo com a pesquisa, 41% desses jovens confiam mais na IA do que nos humanos como mentores, contra 26% que dizem o oposto e 31% que ficaram indecisos.

O estudo também traz outros dados que reforçam essa tendência:

  • 50% da Geração Z prefere recorrer à IA para resolver problemas no trabalho em vez de falar com seus gerentes, enquanto apenas um terço dos Boomers faz o mesmo;
  • Jovens utilizam IA, em média, 12 vezes por semana, comparado a 7 vezes para a Geração X e 4 vezes para os Boomers;
  • 83% da Geração Z relata ansiedade ao precisar fazer uma pergunta pessoalmente ou online, o maior índice entre todas as gerações.

O impacto da dependência da IA

A preferência dos jovens pela IA em vez de interações humanas no trabalho pode ser vista como uma maneira de evitar a comunicação com gestores, um comportamento que tende a ter consequências negativas. “Ter medo de fazer perguntas pode levar a problemas de comunicação e trabalho em equipe, além de contribuir para a crescente falta de confiança no ambiente de trabalho”, diz Andy Kurtzig, CEO da Pearl.

Para o executivo, os números da pesquisa levantam um alerta sobre como a IA está influenciando não apenas o trabalho, mas também outros aspectos da vida dos jovens, como planejamento financeiro, criação de filhos e saúde mental. “O fato de que a maioria da Geração Z confia mais na IA do que nos humanos é impressionante, talvez até distópico, e carrega enormes implicações para os negócios.”

Kurtzig alerta que, embora a IA possa democratizar o acesso a “conselhos” sobre o trabalho, a geração Z deve ser cautelosa ao apostar completamente na tecnologia para obter respostas. “As gigantes da tecnologia criaram um grande alarde em torno das capacidades da IA no ambiente de trabalho, mas acabaram induzindo os profissionais – especialmente os mais jovens – a superestimar sua precisão e confiabilidade.”

Uma pesquisa da Universidade Purdue, nos EUA, mostrou que o ChatGPT cometeu erros em 52% das respostas a perguntas de programação. A dependência excessiva de sistemas automatizados pode resultar em erros que vão desde pequenos mal-entendidos até prejuízos financeiros irreparáveis. “O maior problema é que os profissionais não sabem quando estão recebendo informações imprecisas se estão confiando apenas na IA para as respostas.”

Como fazer um bom uso da IA no trabalho?

A IA é uma ferramenta poderosa, mas não substitui o julgamento humano. “As empresas (e os profissionais) que não equilibrarem os dois irão enfrentar dificuldades no futuro”, diz Kurtzig. Ele oferece três dicas para as empresas ajudarem os profissionais mais jovens a usar a inteligência artificial:

  1. 1. Reconheça que a IA faz parte do ambiente de trabalho: Muitos profissionais já utilizam IA em suas tarefas diárias. Em vez de ignorar essa realidade, as empresas devem estabelecer diretrizes claras sobre seu uso;
  2. 2. Explique os perigos de usar IA no trabalho: Os profissionais devem ser alertados sobre a possibilidade de respostas imprecisas e os riscos de compartilhar informações confidenciais com ferramentas de IA;
  3. 3. Defina claramente onde a IA pode ser usada: Tarefas como revisão de texto, brainstorming e resumos podem se beneficiar da IA, mas decisões estratégicas e trabalhos voltados para clientes devem contar com supervisão humana.

*Bryan Robinson é colaborador da Forbes USA. Ele é autor de 40 livros de não-ficção traduzidos para 15 idiomas. Também é professor emérito da Universidade da Carolina do Norte, onde conduziu os primeiros estudos sobre filhos de workaholics e os efeitos do trabalho no casamento.

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