W.O na Turquia: entenda a decisão do Fenerbahçe e relembre casos no Brasil

A decisão do Fenerbahçe de boicotar a Supercopa da Turquia contra o Galatasaray, substituindo sua equipe principal pelo time sub-19 e retirando-o de campo logo após o início, ganhou destaque internacional. Apesar de incomum, o fato não é inédito e já ocorreu no Brasil também.

Jogadores do Fernerbache deixando o campo de jogo, na Turquia

Jogadores deixaram o campo de jogo após o primeiro gol sofrido pela equipe na final da Supercopa da Turquia – Foto: Reprodução/Internet/ND

Entenda o caso de W.O na Turquia

O clássico envolvendo Fenerbahçe e Galatasaray, válido pela final da Supercopa da Turquia, virou assunto mundial no último fim de semana.

A hipótese do boicote havia sido anunciada pelos turcos em assembleia realizada na última semana. O Fener queria o adiamento da final da Supercopa nacional e exigiu que a arbitragem da partida fosse estrangeira.

Como a exigência do clube não foi aceita pela TFF (Federação Turca de Futebol), o Fener resolveu, literalmente, “tirar seu time de campo”.

O estopim para as medidas drásticas do Fenerbahçe foi a confusão após a vitória por 3 a 2 contra o Trabzonspor, no dia 17 de março. Na ocasião, a torcida rival invadiu o campo e agrediu os jogadores do time de Istambul.

No entanto, o constante histórico de violência do futebol turco não é o único motivo para a postura do Fenerbahçe. O clube se sente prejudicado pela arbitragem e pelas decisões dos tribunais esportivos do país. Além disso, se sentiu desprotegido pelas autoridades de segurança turca.

“No futebol turco, existe um sistema, uma rede ou uma gangue, que há anos desenha o rumo da liga por meio de árbitros. Eles podem manobrar como quiserem”, declarou o presidente do Fenerbahçe, antes da Supercopa.

E no Brasil?

Apesar de incomum, os casos de W.O não são inéditos. Um dos mais emblemáticos aconteceu com um clube catarinense.

Em agosto de 2019, o Figueirense não entrou em campo na partida válida pela 17ª rodada da Série B, na Arena Pantanal.

Na ocasião, os jogadores realizaram um protesto em função dos salários atrasados, que à época chegavam a 4 meses de atraso. O clube foi punido em R$ 3 mil.

Figueirense protagonizou episódio de W.O em 2019 – Foto: Olímpio Vasconcelos/Reprodução/ND

  • Blumenau: Ainda em 2019, o Blumenau foi excluído pela Federação Catarinense de Futebol da Série B do estadual após a reincidência na anulação de jogos pela falta de laudos de segurança no estádio Ervin Blaese, em Indaial, onde o clube mandava suas partidas.
  • Chapecoense e Atlético-MG:  Em 2016, pouco depois do acidente aéreo que provocou a morte de 71 pessoas que estavam no avião que levava a delegação da Chapecoense até a Colômbia para a final da Copa Sul-Americana, o time catarinense tinha pela frente um jogo contra o Atlético-MG pela rodada final do Brasileirão. E, por motivos óbvios, o clube de Chapecó não tinha como colocar uma equipe em campo na Arena Condá, assim como o Atlético se negou a atuar em respeito ao luto vivido pelo rival e pelo próprio futebol brasileiro. Porém, a CBF mesmo assim determinou a realização do jogo, que terminou com um duplo W.O., para cumprir protocolos que estavam previstos para o confronto.
  • Mogi Mirim: Em 2017, a equipe do Mogi Mirim também teve um episódio de W.O na partida diante do Ypiranga, válida pela Série C daquele ano. Alegando salários atrasados, os jogadores não foram ao gramado. Naquela temporada, a equipe paulista acabou sendo rebaixada à Série D.
  • Barueri: Em 2014, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) condenou o Grêmio Barueri a pagar multa de R$ 2,5 mil pela ausência dos jogadores diante do Operário-MT pela quinta rodada da fase de grupos da Série D. Com o adversário em campo, os atletas não subiram ao gramado da Arena Barueri como protesto pelo atraso nos pagamentos que, no dia do confronto, era de quatro meses nos direitos de imagem e dois meses de CLT.
Adicionar aos favoritos o Link permanente.